segunda-feira, 27 de abril de 2015

Ó meu amor
quero ver-me no teu olhar,
no romancear das tuas frases,
quando me falas de amor.

E me dizes, que te faço falta,
que adoras o meu sorriso, 
e vês o meu rosto enternecida
olhar para ti.

Gosto da tua maneira de ser,
pacato e reservado,
de olhar sereno,
falando pausadamente,

Olhamos-nos olhos, nos olhos,
encadeados de ternura,
paginados de pensamentos,
de amor que cresse em mim!

Graça Bica


Ontem
Esperei por ti!
no mesmo sitio
que anos atrás me encontras-te,
sentada num banco verde
de madeira,
com o meu diário deitado
no meu colo,
a desfolhar um malmequer,
cantando baixinho,
bem me quer, mal me quer,
as lembranças rondavam entre mim
e ti!
escrevi todo meu sentir,
e relia com muita emoção,
os anos foram viajando no tempo,
continuo na mesma caminhada,
saindo para o mesmo lugar,
fazendo tudo igual,
envelheci na  idade...
mas recordações, continuam bordando
o meu coração!
sempre que releio o diário,
sentada no mesmo banco,
já envelhecido, pelas chuvas
e calor dos verãos...

Graça Bica
  

domingo, 26 de abril de 2015

Todo o amor

Que depositei
no olhar atento desse dia,
as sombras debruçaram-se
no pátio da casa antiga,
onde as giestas traziam
o cheiro de Maio!
cuidadosa, escrevia uma carta
para ti!
relembrava todos os momentos,
para que pudesses ler,
o meu cuidado,
como entramos no nosso amor,
tão pausadamente,
eu sorria envergonhada,
com tudo que te escrevia...
relembrava em cada letra
o teu olhar,
atento, olhando para mim,
as vezes que confessámos,
as vontades do momento,
o cuidado como o afagamos,
tão nosso!
como as giestas florirão
em todos anos, no mês de Maio,
é como o cuidamos, o nosso amor!
para florir em todos os anos
da nossa vida!

Graça Bica

sábado, 25 de abril de 2015

Sou a sombra

Que caminha
ao teu lado,
doei os meus olhos ...
para não caíres,
seguimos lado a lado,
em todos os caminhos
que palmilhamos,
com tristeza e alegria,
o sorriso, no mesmo olhar
a felicidade do mesmo
peito,
o abraço, do mesmo
abraçar,
a sombra, do mesmo
corpo,
o beijo da mesma
boca.
Graça Bica.
Li no silencio
do teu olhar,

Que perdeste um amor,
eram longos, tão longos
os teus sonhos!
que o coração pulsava de dor  
de tão longos... 
derramavas no horizonte,
eram ternos, os teus sorrisos,
que deixavas transparecer, 
eras como o luar
que guarda a terra e o mar...
eras um sonho, e um abraço 
que esperava o meu corpo,
despido no teu olhar...
expandi o meu horizonte,
acalentei o teu amor
que floriu o meu jardim,
e o meu corpo,
ficou perfumado
com o cheiro de jasmim...

Graça Bica           
Esculpi
o teu corpo,

 Na turquesa do mar,
pintei-o de branco
cor de nuvem... 
com luvas rendilhadas,
despido,
o dia estava amanhecendo ,
e algumas estrelas,

cintilavam no universo,
perdidas do seu recolher,
dando luz as minhas mãos 

Pintei,  decalquei
um corpo despido,
todo meu...!
trabalhei,   
 a boca, corpo,
pormenorizadamente,

desenhei as mães,
como as queria sentir,
suaves, e aveludadas,

percorrendo o meu corpo,
despido... 
chamei o teu nome  
amor...
  
A saudade
anda comigo

Em todas as recordações
que eu sonho contigo,
do teu rosto a sorrir
entre murmúrios,
quando mexias os teus lábios,
para chamar por mim!
as saudades que eu sinto ,
são intermináveis...
como um vulcão,
que arde dentro de mim...
parei na vida!
nada mais faz sentido,
desliguei-me do mundo
que me rodeia, 
não via mais alegria para os meus olhos,
nem sede para continuar a viver,
zanguei-me contigo...
tanto te pedi para me levares,
caminho na sombra dos dias
que se fizeram meus...

Graça Bica.