domingo, 17 de maio de 2015

Escrevo

Em cada momento
que penso escrevo!
nas lágrimas, da noite,
das sombras, do teu passado,
a luz das estrelas clareiam
a minha mente..!

 Debruço-me comovida
numa prosa sentida,
transcrevo tudo,
em papel amarrotado
do baú da minha vida!
são quatro folhas errantes,
que escrevo num tempo,
sem data..!
junto ao espelho,
teu rosto!
as marcas da pele rugosa,
já, sentencia os anos
que embrulho,
em mim...

Graça Bica.
Amanheceu

Não sei como segurar
o sonho da manhã!
sei, o escrevi nas folhas de
papel. 
fiz confidências no teu ouvido,
dei-te o quarto a dizer mar...

 E gravámos na cama a
saudade.
o amor cresceu em nós, 
com a esperança
do nosso sentir,
escorria pelo corpo a liberdade,
fantasiei o amor com cheiro à

rosas,
a noite descia de braços abertos,
com ela, uma  brisa serrana...
o vento agreste feria-me a
alma!
o mistério estava entre nós!
não sei mais o que fazer?
deixei-te partir!
ficaram os teus olhos
desenhados, no travesseiro
da cama!
o lençol ficou molhado
com as tuas lágrimas...

 Graça Bica.
Caminhei só!

Parti sem rumo,
procurei as pegadas
da tua vida,
nas folhas das arvores secas,
caídas no chão,
quando se despem!
para mudar de estação
os meus olhos emergem
desespero,
ofuscam a minha orientação,
perguntei à noite
se te escondeu do frio?
chorei, lágrimas de redenção
aclamando por ti!
não sei em que dia acordei,
nem os meses
que me fizeram companhia 
abraçada aos anos de dor...
feitos de alvorada,
o amanhecer vem a ânsia
de te abraçar,
a solidão bate todos os dias
na minha porta!
Graça Bica

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Descanso

No lumiar da noite,
os pássaros deixam de cantar,
a cor do dia escurece
na mudança da hora!

O meu coração
adapta-se melhor
ao silêncio
permanente,
da tua lembrança!
ainda tenho por determinar,
novas rezões para a minha vida!
as voltas que vou redigir,
os trilhos que vou tomar! 
tornei-me afoite,
desconhecida,
em que me tornei,
não pedi contas a DEUS,
deste meu tormento,
nem destes meses que se agitam,
que se sucedem os dias
diminuindo em minutos,
se eu adormecer?
levo comigo as lembranças
de tudo que foi meu...!

Graça Bica.
Do meu silencio.


   Poema escrito 19/7/1999.



Jorram palavras,
eu comtemplo-as
demoradamente,
no meu silêncio!
esqueço-me do percurso
do tempo,
e mais palavras saem
em fuga vertiginosa
dos minutos,
se o meu amor prevalecer
no tempo,
eu louvarei as minhas mágoas
e soletrarei todas as palavras
por dizer!
venço a timidez das horas
interrompidas,
regresso fugazmente a mim,

pronunciarei o teu nome
novamente...!

Graça Bica  
 Pena noite


Naquele túnel gélido
e profundo,
onde a luz do luar
nem se adivinha,
erguia-se!
na frente dos meus passos,
o chão, de areia movediça,
o meu olhar ficou parado,
o meu corpo, tremeu de frio
e solidão! 
nem, uma esperança,
me alucinava o peito,
o caminho impossível
já traçado,
com  curvas sinuosas
que já não vejo!
estendo a minha mão,
para guiar-me sozinha
pela noite.!

Graça Bica