quarta-feira, 27 de maio de 2015

Passei a tarde
a desenhar-te!

Pintei o caminho dos teus dias,
para que ao atravessa-lo
nenhuma pedra te ferir,
pintei a primavera,
as árvores, flores! 
pintei o teu rosto,
com as lágrimas da minha saudade,
pintei as rosas
que via no jardim, 
foi um começo de horas,
de outras vidas... 
estou cada vez mais imparcial,
imprevisível...
vivi realidades
que não mais me pertencem!
quando foi ontem,
para não ser hoje ...
quando fui outra, para
 não ser eu...
viajei por dias inventados...


Graça Bica

terça-feira, 26 de maio de 2015

A vida
sem o teu amor
é uma carta lisa sem nada para ler,
é um jogo de palavras, sem respostas!
sem o riso nos lábios,
e tua boca fechada
sem prenunciar o meu nome!
é como o céu sem estrelas,
e o universo despido sem luar!
porque me fazes tanta falta amor_?

As jarras estão vazias sem flores,
o meu coração é um lamento,
sem ver os teus olhos, cor de amêndoa.
a sorrir para os meus...
a tua ausência, faz mal a minha alma!
a vida não tem sentido,
todos os caminhos não têm fim!
vivo num campo agreste,
sem água para o adubar,
o pó segou os meus olhos
incessantes da tua procura! .
que faço da minha vida sem ti?
que alento tenho para caminhar,
despojada do teu amor!

Graça Bica
               
Se Tu não existisses
 
Porque existiria eu?
para vagar num mundo sem ti,
sem esperança, e sem lembranças,
E se tu não existisse?

Eu teria que te inventar amor,
como nascem as flores
de múltiplas cores,
como gotas de orvalho
que alimentam das matizes,

Se  tu não existisse!
eu seria, uma folha de papel,
embrulhada e adormecida
nós teus braços,
seria, somente um ponto a mais,
neste mundo que vem e que vai
e me sentia perdida!

E se tu não existisse?
eu não te encontraria
vagueava num mundo sem ti!
sem esperança e sem lembranças
eu preciso de ti!
porque te quero,
sempre junto de mim!

Graça Bica        

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Amor
Já gastei as palabres
quando te chamava amor,

Quando escrevo, não leio,
as palavras gastei-as
em todas as cartas e poemas
que escrevi...
em todos os sentimentos
que abracei,  soletrei amor... 
hoje, o tempo corre tão depressa,
mesmo que queira escrever amor,
as teclas estão gastas 
passou o tempo
o amor adormeceu,
no peito dormente!

Graça Bica



Respiro o ar
que inunda o teu corpo,
de tão afoite
é a minha vontade!
e com pressa, é minha liberdade
das horas que o vento envala
e sacode o cheiro para mim...

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água ao amanhecer,
ao sol que queima, ao entardecer,
sabe a luz mordida, escurecida
sabe a brisa nua,
que aparece em mim...

Sabe a rosa louca, que nasce
no beiral, ao cair da noite,
sabe a pedra amarga, de agua e sal,
sabe à minha boca,
de  beijos mordidos!

Graça Bica.

domingo, 24 de maio de 2015

O sol
 
já se havia
deitado,
e tu sem chegares!
não sabia mais
o que pensar?
nem, as minhas palavras
aflitas saiam,
estavam pesarosas,
de angustia.
enquanto, o meu peito
inquieto suspirava
de saudade,
gritei o teu nome,
na escuridão
do meu leito,
os meus olhos molhados com lágrimas
adormeciam sem ti...! 
as manhãs descobriam
o meu corpo cansado 
da tua espera, 
e a noite, se ia deitar...

 Graça Bica
O Silêncio

Hoje nenhuma nota musical,
poderá viver em mim!

 Um som de um tambor,
anuncia a minha partida,
os meus olhos já não brilham,
choram dentro de mim!
anunciando, que a primavera não virá,
para iluminar o meu olhar,  

Os poemas saídos,
 da minha alma
serão recordados, no dia
que chorarem por mim,
regressarei para o exílio,
levarei comigo ,o sonho que vivi,
os projectos que deixei de cumprir,
serei elevada para os cânticos
que exaltam a beleza da noite,
partiram comigo!
o mar, o grunhido das gaivotas,
o por de sol, com o manto de oiro,
esparramado no horizonte,
da minha saudade!
os meus sentidos partirem,
e não voltaram acalentar a dor,
o mistério da vida, a ilusão do amor,
onde se faça jus a minha presença.
porque o passado morre em mim...

Graça Bica