segunda-feira, 25 de maio de 2015

Respiro o ar
que inunda o teu corpo,
de tão afoite
é a minha vontade!
e com pressa, é minha liberdade
das horas que o vento envala
e sacode o cheiro para mim...

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água ao amanhecer,
ao sol que queima, ao entardecer,
sabe a luz mordida, escurecida
sabe a brisa nua,
que aparece em mim...

Sabe a rosa louca, que nasce
no beiral, ao cair da noite,
sabe a pedra amarga, de agua e sal,
sabe à minha boca,
de  beijos mordidos!

Graça Bica.

domingo, 24 de maio de 2015

O sol
 
já se havia
deitado,
e tu sem chegares!
não sabia mais
o que pensar?
nem, as minhas palavras
aflitas saiam,
estavam pesarosas,
de angustia.
enquanto, o meu peito
inquieto suspirava
de saudade,
gritei o teu nome,
na escuridão
do meu leito,
os meus olhos molhados com lágrimas
adormeciam sem ti...! 
as manhãs descobriam
o meu corpo cansado 
da tua espera, 
e a noite, se ia deitar...

 Graça Bica
O Silêncio

Hoje nenhuma nota musical,
poderá viver em mim!

 Um som de um tambor,
anuncia a minha partida,
os meus olhos já não brilham,
choram dentro de mim!
anunciando, que a primavera não virá,
para iluminar o meu olhar,  

Os poemas saídos,
 da minha alma
serão recordados, no dia
que chorarem por mim,
regressarei para o exílio,
levarei comigo ,o sonho que vivi,
os projectos que deixei de cumprir,
serei elevada para os cânticos
que exaltam a beleza da noite,
partiram comigo!
o mar, o grunhido das gaivotas,
o por de sol, com o manto de oiro,
esparramado no horizonte,
da minha saudade!
os meus sentidos partirem,
e não voltaram acalentar a dor,
o mistério da vida, a ilusão do amor,
onde se faça jus a minha presença.
porque o passado morre em mim...

Graça Bica

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Luto

Fiquei lavada em lágrimas  
naquele fim de tarde!
a dor atingiu o meu peito, 
e o medo se embrenhou em mim! 
colhia flores no campo dos madrigais,
aragem esfriou,
e o meu corpo tremia,
a minha calma desapareceu,
nos cantos dos rouxinóis...

Na lagoa, o varo-lho das rãs,
enlouqueciam o meu pensar,
estava tão só, dentro de mim...
os meus aís foram levados nas nuvens
o meu sofrer tropeçou em mim.!

Enquanto chorava ninguém me ouvia!
as nuvens tardias desciam na noite, 
turvavam o luar e ninguém me via,
chorava  só, num lamento,
numa prece saída do peito sofrido,
de tanto te ter amado
um amor fugidio,
por mim reclamado,
e tanto sofrido...


Graça Bica
              

terça-feira, 19 de maio de 2015

Em todas as luas

Que meus olhos beijão,
o teu rosto esta olhar
para mim!
os teus olhos brilham,
para iluminar os meus!
o meu desassossego
labuta no meu peito,
a minha vontade de te querer
afoga-me a respiração!
tudo é lindo...
as luas anunciam as mares,
os rios transbordavam para o mar...
e eu sozinha,
deitada na areia, olhava para ti!
tu sorrias,
eu, atirava-te  beijos
soprados no vento,
abrias a tua boca para os receber,
riamos os dois, enlouquecidos
do nosso amor...
fantasiados com os sonhos,
quero repartir contigo,
em todas as luas, tuas e minhas
meu amor!  

Graça Bica
Queria
que descobrisses.

O meu rosto,
com a ternura do teu olhar,
os meus lábios trémulos
pronunciassem o teu nome!

O meu coração bate
silenciosamente!
descuidado de tantos anos
em vão...
da minha incessante procura!
já tinha, adormecido no silêncio,
da tua vida!
a minha, não coordenava a vontade
de te procurar!
as noites agasalhavam-se nos dias,
e adormeciam cansadas,
no silêncio da ilusão!
porque vieste meu amor,
descobrir o meu rosto ?
porque me deixas-te
tanto tempo dormente de ti ?
diz-me?
que me segues de perto!
que me procuras nas noites!
beijas os meus lábios. antes de adormecer!
e cobres o meu corpo,
para não esfriar,
e segues-me no teu olhar!
sem pressas!
para eu, acompanhar a tua sombra!
e nosso amor, continua na distância,
cada ano nós aproxima mais!!!

Graça Bica

domingo, 17 de maio de 2015


Os meus olhos leem.

 No silêncio, da noite,
escrevem à luz do luar
uma  guitarra toca,
as notas que escreves-te
no tempo passado,
silencia, e agoniza
a minha dor...
que se impõe
em me deixar... 
sento-me no banco do nosso jardim
debaixo da macieira
que tu próprio plantas-te!
à muitos anos passados,
cresceu uma árvore reboliça
com maças vermelhas,
cor dos meu lábios, cor de carmim,
com um sabor meloso,
e sumarento...
onde vou, para conversar
contigo...!

Graça Bica.